Teobaldo
Tive uma experiência ruim! De novo!
Sempre que tento dar uma de esperto, o tiro sai pela culatra. Vou
lhes contar o acontecido. Tudo começou com uma vibrante e cheirosa
moçoila que passou desfilando, quase flutuando, surgindo e
desaparecendo repentinamente na calçada onde eu estava. Quebrou o
marasmo daquela tarde, excitou as ideias e atentou contra a mesmice.
Conclui sabiamente que era hora de desassossegar.
Meu alvoroço consistia no fato de
providenciar algo que impressionasse “La Chica”. A primeira coisa
em que pensei foi na minha aparência, afinal é a propaganda de todo
o resto, e então corri para frente do espelho. Bah! A visão não
foi das melhores: o cara pálida. É, mas nada para desanimar,
pensei. Triste engano, mal sabia eu.
Assim, entusiasmado com a ideia de
comover a pretendida, coloquei-me a elaborar um meticuloso plano para
reformular a fachada. No papel, muito fácil, mas, na prática, tudo
muito penoso. Primeiro cheguei a conclusão de que o barbeiro não
resolveria meu problema. É óbvio que uma reforma com esse tipo de
planejamento precisaria de um profissional mais gabaritado na arte de
embelezar e não só de ajeitar o cabelo. Resolvi comparecer em um
instituto de beleza. Que ideia! Nos meus planos as coisas a consertar
na primeira etapa listavam: cabelo e barba. Mas, pela minha falta de
experiência, acabei aceitando o planejamento da moça do instituto:
barba, cabelo, bigode, sobrancelhas, pelos do nariz e das orelhas,
limpeza de pele...
Primeira fase do planejamento
executada, mas ah! Vamos à segunda que listava: unhas. Certinho,
vamos lá. No meu projeto, embora detalhado, era tudo muito simples,
mas não para a moça do instituto, para ela era uma oportunidade
nova, um aprendizado, um acréscimo em seu currículo, então listou:
unhas, cutículas e base (das mãos e dos pés) Bah! Ainda mais,
sugeriu depilação...
Concretizada mais esta etapa, a das
unhas, vamos para a sugestão da profissional: depilação. Fui
tranquilo, não conhecia o tal procedimento, resolvi confiar na moça.
Resumindo, me deitei na maca, sem camisa, relaxado, apreciando a voz
doce e engambelada daquela profissional, sem ao menos imaginar o que
ela estava tramando. Passou a mãozinha no meu peito e depois
espalhou carinhosamente uma pasta morna que grudou em mim. De nada
desconfiei, tudo muito confortável. Só que ela puxou aquilo de uma
vez. Bah! Mas que dor! Ali, naquele momento, quando vi a morte de
perto, tudo mudou. O mundo de vaidade se foi, a agradável conversa
virou em xingamento, para resumir nem pedi o troco.
E a moça cheirosa? Desisti, é muito
vaidosa.