sexta-feira, 19 de julho de 2013

Querendo impressionar

Teobaldo

Tive uma experiência ruim! De novo! Sempre que tento dar uma de esperto, o tiro sai pela culatra. Vou lhes contar o acontecido. Tudo começou com uma vibrante e cheirosa moçoila que passou desfilando, quase flutuando, surgindo e desaparecendo repentinamente na calçada onde eu estava. Quebrou o marasmo daquela tarde, excitou as ideias e atentou contra a mesmice. Conclui sabiamente que era hora de desassossegar.
Meu alvoroço consistia no fato de providenciar algo que impressionasse “La Chica”. A primeira coisa em que pensei foi na minha aparência, afinal é a propaganda de todo o resto, e então corri para frente do espelho. Bah! A visão não foi das melhores: o cara pálida. É, mas nada para desanimar, pensei. Triste engano, mal sabia eu.
Assim, entusiasmado com a ideia de comover a pretendida, coloquei-me a elaborar um meticuloso plano para reformular a fachada. No papel, muito fácil, mas, na prática, tudo muito penoso. Primeiro cheguei a conclusão de que o barbeiro não resolveria meu problema. É óbvio que uma reforma com esse tipo de planejamento precisaria de um profissional mais gabaritado na arte de embelezar e não só de ajeitar o cabelo. Resolvi comparecer em um instituto de beleza. Que ideia! Nos meus planos as coisas a consertar na primeira etapa listavam: cabelo e barba. Mas, pela minha falta de experiência, acabei aceitando o planejamento da moça do instituto: barba, cabelo, bigode, sobrancelhas, pelos do nariz e das orelhas, limpeza de pele...
Primeira fase do planejamento executada, mas ah! Vamos à segunda que listava: unhas. Certinho, vamos lá. No meu projeto, embora detalhado, era tudo muito simples, mas não para a moça do instituto, para ela era uma oportunidade nova, um aprendizado, um acréscimo em seu currículo, então listou: unhas, cutículas e base (das mãos e dos pés) Bah! Ainda mais, sugeriu depilação...
Concretizada mais esta etapa, a das unhas, vamos para a sugestão da profissional: depilação. Fui tranquilo, não conhecia o tal procedimento, resolvi confiar na moça. Resumindo, me deitei na maca, sem camisa, relaxado, apreciando a voz doce e engambelada daquela profissional, sem ao menos imaginar o que ela estava tramando. Passou a mãozinha no meu peito e depois espalhou carinhosamente uma pasta morna que grudou em mim. De nada desconfiei, tudo muito confortável. Só que ela puxou aquilo de uma vez. Bah! Mas que dor! Ali, naquele momento, quando vi a morte de perto, tudo mudou. O mundo de vaidade se foi, a agradável conversa virou em xingamento, para resumir nem pedi o troco.

E a moça cheirosa? Desisti, é muito vaidosa.

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