Teobaldo
Será que a curiosidade é normal.
Será que alguém é... O que é ser normal? Não me aguentei, fui
pesquisar para saber o que significa isso. Fui no dicionário:
“conforme a norma”; “que é como os outros”; “exemplar”.
Outros dizem que é ter um comportamento aceitável pela maioria.
Beleza! Agora sim, já sei tudo o que
preciso sobre ser normal. Ser normal é ser como os outros, então é
barbada. Vou sair a rua praticar minha normalidade. Saí e já de
cara me deparei com um camarada fumando, (deve ser normal), outro
todo enroupado de moto passou buzinando, a gurizada indo para a
escola em altas conversas, outros apressados para o trabalho, tudo
normal. - Bom dia! Será que hoje chove? Essa foi a primeira pergunta
normal que fiz para meu amigo parado esperando abrir a loja de
roupas. - Uma hora chove! Respondeu normalmente. - Tchê, que tu
andas fazendo aí estacionado na porta da loja a essa hora da manhã?
Foi a segunda pergunta que fiz, afinal era uma loja de roupas e não
era normal tanta pressa assim para adquirir uma peça logo na
primeira hora da manhã. - O que te interessa? Respondeu com ares de
pouca simpatia. Bueno, o fato é que diante do meu objetivo de sair
para testar minha normalidade, aquele ocorrido era muito anormal. Não
podia eu ficar sem saber o desfecho, não era normal para minha
curiosidade. Me despedi e escamoteei ficando na espreita e esperando
o desenrolar dos fatos. Até aí tudo normal. Chegaram as moças que
trabalhavam na loja, ela abriu e o camarada caiu dentro. Corri até a
loja e fiquei espiando pela vitrine o que se passava. Até aí tudo
normal. Tchê, pois não é que o camarada entrou no provador com uma
vendedora. E, pior, fechou a cortina e, pior ainda, tudo começou a
balançar. A coisa estava começando a ficar fora da normalidade.
Entrei na loja e me acheguei para perto do provador. Não aguentava a
curiosidade. Chego sorrateiramente mais próximo para tentar ouvir o
que se passa, quando então saem o camarada e a moça do provador.
Disfarço para que não me vejam e permaneço na vigia. Ela, ajeita o
cabelo, dá um sorriso maroto e entrega um pacote para ele. Ele
devolve o sorriso, mas não com a mesma qualidade do dela, e sai.
Ainda dá uma olhadinha para trás, mas ah índio “véio”! E
agora? Não, agora a coisa não está normal, eu não estou na minha
normalidade. O que aconteceu? Vou ter que descobrir. Peguei uma calça
56 e me fui aquele provador. Fui logo advertido: - Nesse não! Disse
a vendedora. Bah! Vou no do lado. Nada, nenhuma pista. Pensei, vai
ser na conversa então, tudo normal. Chamei a dita vendedora para uma
prosa: Vai chover? Como foi a novela? Tem alguma coisa em promoção?
E tal... Até que, depois desta charla
muito normal, cheguei à resposta. Acreditem, o camarada estava
consertando a lâmpada do provador. Eles fecharam a cortina para ver
que tudo estava escuro. Ele subiu na escada segurada por ela, então
por isso a cortina balançou. A lâmpada deu trabalho para sair, por
isso demorou uns minutos. É, como disse, tudo normal. Decidi então
ir embora e não levei nada, tudo normal. Mas não é que me surgiu
outra pergunta: O que tinha no pacote que o camarada levou? Normal, a
dúvida continua.
Nenhum comentário:
Postar um comentário