sexta-feira, 19 de julho de 2013

Anormalidade curiosa

Teobaldo

Será que a curiosidade é normal. Será que alguém é... O que é ser normal? Não me aguentei, fui pesquisar para saber o que significa isso. Fui no dicionário: “conforme a norma”; “que é como os outros”; “exemplar”. Outros dizem que é ter um comportamento aceitável pela maioria.

Beleza! Agora sim, já sei tudo o que preciso sobre ser normal. Ser normal é ser como os outros, então é barbada. Vou sair a rua praticar minha normalidade. Saí e já de cara me deparei com um camarada fumando, (deve ser normal), outro todo enroupado de moto passou buzinando, a gurizada indo para a escola em altas conversas, outros apressados para o trabalho, tudo normal. - Bom dia! Será que hoje chove? Essa foi a primeira pergunta normal que fiz para meu amigo parado esperando abrir a loja de roupas. - Uma hora chove! Respondeu normalmente. - Tchê, que tu andas fazendo aí estacionado na porta da loja a essa hora da manhã? Foi a segunda pergunta que fiz, afinal era uma loja de roupas e não era normal tanta pressa assim para adquirir uma peça logo na primeira hora da manhã. - O que te interessa? Respondeu com ares de pouca simpatia. Bueno, o fato é que diante do meu objetivo de sair para testar minha normalidade, aquele ocorrido era muito anormal. Não podia eu ficar sem saber o desfecho, não era normal para minha curiosidade. Me despedi e escamoteei ficando na espreita e esperando o desenrolar dos fatos. Até aí tudo normal. Chegaram as moças que trabalhavam na loja, ela abriu e o camarada caiu dentro. Corri até a loja e fiquei espiando pela vitrine o que se passava. Até aí tudo normal. Tchê, pois não é que o camarada entrou no provador com uma vendedora. E, pior, fechou a cortina e, pior ainda, tudo começou a balançar. A coisa estava começando a ficar fora da normalidade. Entrei na loja e me acheguei para perto do provador. Não aguentava a curiosidade. Chego sorrateiramente mais próximo para tentar ouvir o que se passa, quando então saem o camarada e a moça do provador. Disfarço para que não me vejam e permaneço na vigia. Ela, ajeita o cabelo, dá um sorriso maroto e entrega um pacote para ele. Ele devolve o sorriso, mas não com a mesma qualidade do dela, e sai. Ainda dá uma olhadinha para trás, mas ah índio “véio”! E agora? Não, agora a coisa não está normal, eu não estou na minha normalidade. O que aconteceu? Vou ter que descobrir. Peguei uma calça 56 e me fui aquele provador. Fui logo advertido: - Nesse não! Disse a vendedora. Bah! Vou no do lado. Nada, nenhuma pista. Pensei, vai ser na conversa então, tudo normal. Chamei a dita vendedora para uma prosa: Vai chover? Como foi a novela? Tem alguma coisa em promoção? E tal... Até que, depois desta charla muito normal, cheguei à resposta. Acreditem, o camarada estava consertando a lâmpada do provador. Eles fecharam a cortina para ver que tudo estava escuro. Ele subiu na escada segurada por ela, então por isso a cortina balançou. A lâmpada deu trabalho para sair, por isso demorou uns minutos. É, como disse, tudo normal. Decidi então ir embora e não levei nada, tudo normal. Mas não é que me surgiu outra pergunta: O que tinha no pacote que o camarada levou? Normal, a dúvida continua.

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